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Edição Jornalística – PUC Minas

Esportes

No último clássico do ano, falta futebol entre os clubes mineiros, e sobram polêmicas fora de campo

Por Edson Costa, Lorraine Gomes e Raíssa de Oliveira

O jogo entre Cruzeiro e Atlético-MG, válido pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro, não trouxe muitas emoções com a bola rolando. Já nas arquibancadas, foi um dia para se esquecer: além da pancadaria generalizada, um caso de injúria racial marcou negativamente a partida.

Em campo, nada de gols no último clássico mineiro de 2019. O placar ficou no 0 a 0, em um jogo muito fraco, e o resultado foi o mais justo possível. Com o empate, a Raposa segue à beira da zona de rebaixamento, e o Galo perde a chance de praticamente eliminar o risco de queda à Série B.

Foto: Fernando Moreno / AGIF

Em um jogo marcado por situações lamentáveis fora dos gramados, o futebol foi deixado de lado. Antes da partida, a Polícia Militar deteve 76 cruzeirenses. De acordo com a corporação, eles se envolveram em confronto no Anel Rodoviário de Belo Horizonte. Segundo informações do tenente coronel Juliano José Trati de Miranda, integrantes das torcidas organizadas Máfia Azul e Pavilhão, que vinham de João Monlevade, entraram em confronto na rodovia, no limite com a cidade de Sabará. Cinco pessoas ficaram feridas, algumas com fraturas, mas não há informações detalhadas dos quadros clínicos. Os torcedores detidos foram levados de ônibus até o Mineirão e ficaram concentrados no estacionamento G3 do estádio. 

Logo após o apito final, mais uma briga generalizada. Dessa vez, entre torcedores do Cruzeiro e do Atlético-MG: torcedores alvinegros, localizados na parte inferior do estádio, invadiram os camarotes destinados aos cruzeirenses. Houve correria e momentos de tensão para famílias que estavam ali para acompanhar o jogo. 

Foto / Reprodução

Em nota, a Minas Arena, empresa responsável pela administração do Mineirão, informou que houve déficit de seguranças no clássico – “por diversos fatores”, segundo a assessoria. Um desses motivos seria a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Foram escalados 580 seguranças, mas não foi revelado o número de ausentes – apenas informaram que teria sido um montante “significativo”.

Não bastasse tudo isso, um caso de injúria racial contra um segurança que trabalhava durante o jogo foi flagrada. No vídeo, feito pelo jornalista Lucas Von Dollinger, alguns torcedores do Atlético-MG discutem com seguranças e, um deles dispara palavras de cunho racista. O agressor ainda não foi identificado pela polícia. A PM também não informou se o segurança envolvido na confusão registrou boletim de ocorrência em relação à injúria racial que sofreu.

No perfil oficial do clube no Twitter, o Atlético-MG repudiou os atos violentos:

“O Clube Atlético Mineiro repudia veementemente qualquer ato de violência, incluindo racismo, injúria ou ofensa moral, seja no estádio ou fora dele. As diversas imagens que circulam em redes sociais são lamentáveis e devem ser objeto de rigorosa apuração. O Clube se coloca à disposição das autoridades policiais, pede o máximo rigor e urgência nas investigações sobre os fatos ocorridos hoje no Mineirão”.

Em nota, o Cruzeiro lamentou profundamente as cenas de confusão e vandalismo ocorridas no clássico. O Clube garante que tomou todas as medidas exigidas de acordo com o Estatuto do Torcedor. E que, durante a semana, foram feitas reuniões de praxe com representantes de todos os órgãos competentes para garantir a segurança dos torcedores. Sobre o número de seguranças no estádio, o time celeste disse que a Minas Arena é responsável por escolher o número de profissionais no seu efetivo. O Cruzeiro informa, ainda, que está providenciando o levantamento de todos os boletins de ocorrência e de imagens de circuito interno de segurança do estádio, para que, a partir da identificação dos torcedores envolvidos, possa tomar as medidas cabíveis.

A raposa volta a campo contra o Avaí, na próxima segunda-feira (18), às 20h, no Mineirão, pela 33º rodada do Campeonato Brasileiro. Já o Atlético enfrenta o Fluminense no sábado (16), às 19h, no Maracanã.

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