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Edição Jornalística – PUC Minas

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Primeiro presidente indígena da Bolívia renuncia à presidência


Ana Beatriz Baêta, Caio Luz e Sérgio Pêgo.

Após anúncio feito na cidade de Cochabamba (reduto eleitoral de Evo) na noite de domingo (10) o presidente Evo Morales renunciou ao cargo. Decisão veio após grandes ondas de protestos, bloqueios de estradas que se seguiram à eleição de 20 de outubro. 

Em pronunciamento feito a uma tv boliviana, Morales disse que a renúncia foi motivada para “preservar a vida dos bolivianos”, além das perseguições da oposição aos líderes de movimentos sindicais. O presidente havia sugerido novas eleições no país, logo após a Organização dos Estados Americanos (OEA) ter divulgado um informe sobre algumas irregularidades no processo eleitoral. Antes da  renúncia, o líder de estado e políticos aliados sofreram ataque em suas residências. Também renunciaram aos cargos o vice-presidente, Álvaro Garcia, os presidentes da Câmara e do Senado e todo o ministério de Evo. A Constituição da Bolívia prevê eleição em 90 dias em caso de renúncia e falta de substitutos ao cargo. 

Refúgio no México

Nesta segunda-feira, o Governo do México afirmou que o boliviano aceitou a oferta de asilo que lhe havia sido oferecida no dia anterior. Segundo o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, o país acatou o pedido de proteção de Evo para exílio após um dia da renúncia do cargo por pressão da oposição, do povo e dos militares. Segundo Ebrard, o asilo foi concedido para garantir a “segurança e a vida” de Morales e para que “sua integridade pessoal não seja posta em perigo”. O governo mexicano reconhece Evo Morales como presidente legítimo. 

As manobras para se manter no poder

Em 2006, quando ocupou o cargo de presidente da Bolívia, num cenário onde os povos autóctones representavam 60% da população. Naquele período não era possível se reeleger, pois a Constituição não permitia. Foi convocada uma Assembléia Constituinte, em 2009, que mudou a regra e possibilitou que o presidente pudesse se reeleger em um segundo mandato consecutivo. No fim desse segundo mandato, já em 2014, ele se candidatou novamente. Evo, que já havia governado por dois mandatos seguidos, estaria impedido de disputar uma terceira eleição presidencial consecutiva no país.  

No fim do segundo mandato, já em 2014, ele se candidatou novamente. Evo, já estaria impedido de disputar por uma terceira eleição seguida no país. Logo,  passou a pleitear o quarto mandato. Para conseguir mudar a regra a seu favor, convocou uma consulta popular que permitisse reeleições ilimitadas no país. O resultado, entretanto, foi uma derrota para a esquerda do país – 51% dos eleitores disseram não a proposta. Políticos brasileiros consideraram o ocorrido no país vizinho como um golpe de estado, como o ex-presidente Lula, que afirmou no domingo por meio de uma rede social: “É lamentável que a América Latina tenha uma elite econômica que não saiba conviver com a democracia e com a inclusão social dos mais pobres”.


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