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Edição Jornalística – PUC Minas

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Festival leva cultura às margens do Ribeirão do Onça e reforça luta pela recuperação ambiental em BH

Festival da Onça reúne moradores, artistas e coletivos em ações que defendem a recuperação de um dos principais cursos d’água da Região Metropolitana de Belo Horizonte

A 3º edição do Festival da Onça chega a Belo Horizonte na segunda semana de setembro, entre os dias 8 e 12, levando cultura, arte e mobilização comunitária às margens do Ribeirão do Onça, na região Norte da capital mineira.

Mais do que um evento cultural, a programação representa uma das frentes de mobilização pela recuperação ambiental do curso d’água e pela implantação do Parque Ciliar Comunitário do Ribeirão do Onça.

Qual a programação do Festival?

A terceira edição do Festival da Onça será realizada entre os dias 8 e 12 de setembro, no bairro Novo Aarão Reis, na região Norte de Belo Horizonte.  A iniciativa mantém a proposta de integrar atividades culturais a ações coletivas voltadas à transformação de áreas próximas ao ribeirão.

A programação de 2026 prevê diferentes apresentações. A organização abriu uma chamada pública para artistas e coletivos das regiões Norte e Nordeste da capital, com três propostas selecionadas para integrar a programação. 

Na música, as atrações vão ser: Sarah Sampp e Rap Surdo. Além do som, o festival vai contar também com uma apresentação circense do grupo Palhaçaria Negra. A programação completa ainda será divulgada.

Além das manifestações artísticas, o festival é estruturado em torno de ações de ocupação e transformação do território, com mutirões para construção de espaços públicos e de lazer e atividades relacionadas à educação ambiental. O objetivo é contribuir para a implantação do Parque Ciliar Comunitário do Ribeirão Onça.

Nas edições anteriores, a iniciativa promoveu também oficinas, visitas guiadas, plantios, intervenções artísticas e atividades de educação ambiental. 

Quando e por que o Festival da Onça surgiu? 

Criado em 2024, o festival é mais uma iniciativa dos moradores da região Norte de BH para dar visibilidade a um tema que deveria receber mais atenção: a recuperação e a conservação da maior bacia hidrográfica da Grande BH.

Além de sua importância para o abastecimento hídrico, o Ribeirão do Onça e sua cachoeira já foram pontos de encontro e lazer para a população há décadas atrás. 

Com a expansão da cidade, porém, o curso d’água passou a sofrer com a poluição, problemas de saneamento básico e recorrentes enchentes, fazendo com que sua relação com a população fosse marcada cada vez mais pelos impactos ambientais e sociais.

A partir disso o festival surgiu, resultado de uma série de ações iniciadas pela Escola de Arquitetura da UFMG em parceria com moradores da região, voltadas à transformação de espaços degradados em áreas de lazer. 

Para resgatar a comunhão interrompida entre a população e o ribeirão, arte, cultura e educação ambiental se articulam para promover as mudanças necessárias para que o Onça volte a beber água limpa.

Deixem o Onça Beber Água Limpa: luta já dura anos 

Bem antes de o Festival da Onça nascer, moradores do Ribeiro de Abreu e de bairros do entorno já se organizavam para reivindicar mudanças ambientais e sociais na região. O Conselho Comunitário Unidos pelo Ribeiro de Abreu (Comupra) foi criado em 2001 e, a partir da articulação comunitária com escolas, universidades e instituições públicas, surgiu em 2007 o movimento Deixem o Onça Beber Água Limpa.

A mobilização nasceu com a proposta de unir a defesa do meio ambiente à melhoria das condições de vida de quem vive no entorno do ribeirão. Entre as reivindicações históricas estão a retirada de famílias de áreas sujeitas a inundações, a implantação do Parque Ciliar Comunitário, a coleta e o tratamento do esgoto lançado no curso d’água e melhorias na infraestrutura de acesso à região.

Ao longo dos anos, o movimento acumulou conquistas. Segundo o próprio Comupra, mais de 1,1 mil famílias que viviam em áreas de risco foram realocadas, enquanto as margens do ribeirão passaram a receber iniciativas comunitárias, como áreas de lazer e convivência, campinho, horta e agrofloresta.

Em 2014, a organização apresentou à Prefeitura de Belo Horizonte a demanda pela criação do Parque Ciliar Comunitário do Ribeirão Onça. Em 2025, o movimento contabilizou outra etapa importante: a Prefeitura avançou na implantação do parque, previsto para acompanhar aproximadamente seis quilômetros do trecho do ribeirão em leito natural.

A proposta do Parque Ciliar Comunitário, construído com participação de moradores e organizações comunitárias, busca recuperar as margens do ribeirão, preservar áreas verdes e transformar regiões sujeitas a inundações em espaços públicos de convivência.

Mais recentemente, a proposta passou a incorporar também soluções relacionadas às mudanças climáticas. A Prefeitura prevê áreas capazes de receber temporariamente a água das chuvas, além de soluções baseadas na natureza, como jardins filtrantes, em uma tentativa de reduzir os impactos das inundações e contribuir para a despoluição do curso d’água.

A luta, contudo, não terminou. A qualidade da água continua sendo uma das principais preocupações da comunidade. Na 17ª edição do Deixem o Onça Beber Água Limpa, realizada em 2025, o movimento voltou a cobrar soluções para o lançamento de esgoto no ribeirão e defendeu o enquadramento do curso d’água em Classe 2, condição que permitiria usos mais amplos da água após a recuperação de sua qualidade.

Em junho de 2026, a mobilização chegou à 18ª edição, com o tema “Construindo nosso parque: as matas vivem, o Onça corre”. O encontro reuniu moradores, escolas e instituições parceiras em atividades culturais e de educação ambiental.

Geografia e importância do Onça

O Ribeirão do Onça tem aproximadamente 38 quilômetros de extensão e uma bacia hidrográfica de cerca de 212 km². O curso d’água nasce na cidade de Contagem, na Região Metropolitana, e atravessa áreas de Belo Horizonte e deságua no Rio das Velhas, em Santa Luzia. Ao longo do percurso, recebe 28 afluentes. Confira o mapa: 

Apesar da importância para o sistema hídrico da Região Metropolitana, o Onça não é atualmente utilizado como fonte de abastecimento público de água potável. Sua importância para a população está relacionada principalmente à drenagem urbana, ao equilíbrio ambiental, à biodiversidade e à conexão com a bacia do Rio das Velhas.

A relação do ribeirão com o saneamento, no entanto, é histórica. O curso d’água recebe a carga de poluição de diversos afluentes e áreas urbanizadas de sua bacia. 

Em 2007, entrou em operação o tratamento primário da Estação de Tratamento de Esgoto do Ribeirão do Onça. Três anos depois, em 2010, foi inaugurada a segunda etapa da estação, com tratamento secundário. 

Na época, o sistema foi apresentado como uma medida capaz de melhorar o tratamento dos efluentes gerados por Belo Horizonte e Contagem e beneficiar, em termos sanitários, cerca de 1 milhão de pessoas.

A existência da estação, porém, não encerrou o problema da poluição. O lançamento de esgoto e a ocupação urbana da bacia continuam entre os principais desafios para a recuperação do ribeirão. O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas já classificou a bacia do Onça como uma das principais fontes de poluição do Velhas.

O contraste é ainda maior quando se observa a paisagem. Em meio à região urbanizada de Belo Horizonte, o ribeirão conserva trechos em leito natural e abriga a Cachoeira do Onça, com queda de aproximadamente 31 metros. O local é apontado como a maior queda d’água em leito natural dentro de uma capital brasileira e reúne áreas de vegetação, corredeiras e espaços que possuem potencial para lazer, turismo e conservação ambiental.

Informações sobre o festival

Local: Mirante da cachoeira – Rua Euro Luís Arantes, 185, Novo Aarão Reis

Data: 08 a 12 de setembro de 2026

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