Open Banking: sistema pretende facilitar e dinamizar os processos financeiros entre bancos e clientes
A implementação, que teve início em janeiro de 2021, será concluída até o fim do ano
por Giovana Cangussú, Isabela Bernardes, Letícia Alves e Paola Mariano
Conjunto de regras e novas diretrizes que permitirão o compartilhamento de dados e serviços dos clientes entre instituições financeiras, o Open Banking, traduzido do inglês como “Banco Aberto”, é um termo da área de serviços financeiros que surge com a promessa de revolucionar o sistema monetário do país. Tendo como base o consentimento do usuário para a transmissão das informações, o objetivo principal é facilitar a troca de serviços entre consumidor e instituição, na tentativa de dinamizar e desburocratizar as ações dos clientes. Já utilizado em outros lugares do mundo, no Brasil esse novo sistema ainda está em processo de implementação.
Na prática, o Open Banking permite que o consumidor tenha mais propriedade e controle da sua vida financeira. A pessoa tanto poderá escolher acessar crédito em um determinado banco quanto fazer um investimento em outro. Para a cientista econômica e professora de Economia Brasileira da PUC Minas, Eleonora Horta, o Open Banking traz mais segurança e conforto para o cliente. “O Open Banking traz vantagens, sim. Ele protege melhor o bom pagador, responsabilizando um pouco mais os maus pagadores, porque você pode levar o seu cadastro de um banco para o outro, então, a taxa de juros que provavelmente vão cobrar ao bom pagador será menor do que o contrário. Nesse sentido, ele dá mais proteção e mais transparência”, afirmou a professora.
No podcast “Pãodcast”, produzido por nós, alunas do 5º período de Jornalismo da PUC Minas, o assunto sobre o Open Banking é abordado de forma clara e objetiva. Nele, além da apresentação dinâmica da ideia principal desse sistema financeiro, há, também, o destaque às vantagens desse novo processo bancário. Confira o podcast abaixo:
As fases do sistema
Todo o processo para realização dos compartilhamentos de dados do Open Banking se baseará em quatro principais etapas, já tendo passado da 1ª fase, para a implementação desse sistema financeiro. Iniciada em fevereiro deste ano, na 1ª etapa todos os dados compartilhados serão das próprias instituições financeiras, com informações sobre canais de atendimento, produtos e serviços mais relevantes, como operações de crédito. As próximas três fases iniciarão nos dias 15 de julho, 30 de agosto e 15 de dezembro, respectivamente.
As próximas etapas serão baseadas no início do compartilhamento de dados cadastrais e informações de contas bancárias, cartão de crédito e operações de crédito; serviços de iniciação de transação de pagamentos e encaminhamento de proposta de operação de crédito, além do compartilhamento de demais dados, como operações de câmbio e seguros. Por fim, é de extrema importância destacar que, posterior à fase final, os processos se tornarão mais fáceis encerrando, consequentemente, as fases para início eficaz do sistema.
Em síntese:

As fases do Open Banking | Fonte: Site Bradesco
As instituições participantes
No final de 2020, antes mesmo da Fase 1 entrar em vigor, o Banco Central do Brasil (BC) revelou quais instituições financeiras participariam obrigatoriamente do Open Banking. Na extensa lista há 1.065 nomes, entre eles estão bancos, instituições de pagamento e fintechs, todos esses enquadrados pelo BC nos segmentos S1 e S2. Para fazer parte dessa primeira divisão, é necessário ser uma instituição com porte igual ou superior a 10% do Produto Interno Bruto (PIB), ou exercer atividade internacional relevante, independentemente do porte. Já o segundo grupo, o S2, engloba aqueles com porte inferior a 10%, mas que seja superior a 1% do PIB.
Dentre os integrantes da lista feita pelo BC está o Banco Bradesco, uma entre as instituições que viram no Open Banking uma oportunidade de melhoria na qualidade dos serviços prestados. O gerente de Contas de Pessoas Físicas, Matheus Nogueira, faz parte da equipe Bradesco e destaca as facilidades desse novo sistema financeiro para os clientes e os bancos: “Isso vai facilitar muito para o cliente, ele vai ter muito mais agilidade, muito mais opções de comercialização de produtos, de diferencial de taxas”. Sobre as vantagens para as instituições bancárias, o gerente afirma que “bancos poderão fazer parcerias uns com outros para, dentro do seu próprio aplicativo, oferecer produtos de outras instituições, que às vezes não conseguem fazer essa cobertura… vai ser um diferencial pro mercado”.
O mundo tem que ser Open, Brasil!
Em meio à implementação do Open Banking no país, uma das instituições financeiras que fazem parte do processo, o Banco Santander, aproveitou o novo fenômeno do mundo digital para anunciar o pré-cadastro dos clientes e garantir a aceitação dessa novidade. O economista Gilberto Nogueira, ex- Big Brother Brasil 21, estrelou a propaganda que foi ao ar em 23 de maio, no intervalo comercial do programa Fantástico, da TV Globo.
Entre os bordões que ele mesmo criou dentro do reality show, o economista explica como vai funcionar o sistema e suas vantagens. “Vocês sabiam que o sistema bancário vai mudar? Por isso, estou aqui para falar de Open Banking. É fácil. É transparente. É liberdade para você deixar seu dinheiro com quem te oferecer as melhores condições”, disse Gilberto na peça publicitária.
O roteiro das falas também contava com uma palavra marcante na trajetória de ‘Gil do Vigor’ dentro do BBB 21. “A mudança só vem em julho, mas, como no Pix, o Santander avisa antes, para você se preparar e vigorar. Faça já seu pré-cadastro”.
“Quem não se posiciona, acaba sendo posicionado”, finaliza o economista fazendo referência ao principal motivo da propaganda, de divulgar o novo sistema e garantir captação de clientes para o banco, além de fazer alusão a uma das vantagens do Open Banking, de garantir autonomia do cliente na decisão de quais informações serão divididas, tendo os próprios dados sob controle. Segundo o Santander, o pré-cadastro garante, justamente, essa oportunidade aos usuários, que poderão selecionar aquilo que têm interesse em compartilhar a partir da Fase 2 do Open Banking, que começa em julho.
O lançamento da peça publicitária também foi feito nas redes sociais do Santander e garantiu muita repercussão entre os usuários.
“Agora eu mudo pro Santander”, disse um seguidor do banco.
“Santander vigorou”, comentou outra usuária.
Veja a propaganda do Banco Santander com apresentação do economista “Gil do Vigor”:
