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Edição Jornalística – PUC Minas

Meio Ambiente

Cúpula do Clima e as implicações no sistema econômico do governo Bolsonaro

Amazônia Legal bate recorde de desmatamento no primeiro trimestre de 2021 em relação a 2020 com crescimento de 198%

por Dione Afonso, Filipe Ferreira, Lucas Krautz e Yagho Nikollas

Durante o discurso, o presidente Jair Bolsonaro prometeu neutralidade
climática do país até 2050. Foto: Palácio do Planalto

No dia 22 de abril de 2021, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, convocou vários líderes mundiais para discutir sobre como melhorar a situação ambiental atual. A cúpula é uma das medidas criadas por Biden como forma de recuperar a imagem do país após o mandato do ex-presidente americano Donald Trump, por desintegrar ações políticas a favor do clima. Um dos principais temas discutidos no evento foi sobre o Brasil repensar a atual imagem política ambiental.

A participação do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, não gerou resultados satisfatórios entre os líderes internacionais. Em seu discurso, Bolsonaro admite que, para melhorar as condições políticas de intervenção ambiental no Brasil e em defesa da Amazônia, o país carece de ajuda financeira. Caso contrário, nenhuma ação concreta poderia ser realizada.

A Cúpula do Clima de 2021, desde então, provoca governos de diversos países, inclusive o brasileiro. Em março de 2021 a Amazônia Legal, que abrange nove estados brasileiros, bateu recorde de desmatamento. Comparado ao mês anterior, o índice de devastação cresceu 198%. Em relação ao mesmo mês do ano passado, o desmatamento teve crescimento registrado em 12%. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, enfrenta pressão empresarial, econômica e política de outros países, devido ao índice assustador de devastação na Amazônia. Joe Biden, diante dos 40 líderes reunidos na Cúpula do Clima, cobrou posições concretas e decisivas do governo brasileiro e pediu medidas eficazes e urgentes de proteção e cuidado do planeta e da floresta do Brasil.

Negociações e as mudanças de humor

Joe Biden toma posse no dia 20 de janeiro de 2021 e se torna o 46º presidente dos Estados Unidos da América. O então presidente inicia seu governo com um discurso que exalta a democracia e enaltece a diversidade governamental entre os seus ministros e chefes de Estado. Biden coloca importantes mulheres ocupando cargos de Estado e também indica o primeiro político da comunidade LGBTQIA+ a comandar um ministério. Suas ações abrem-se para uma nova América que, segundo ele, em seu discurso de posse, “viveu momentos de crise e em chamas”.

Em menos de 100 dias de governo, Joe Biden convocou líderes mundiais para a Cúpula do Clima, na qual discutiram pautas voltadas para a proteção do meio ambiente e o cuidado com o planeta. A ação de Biden provoca o poder não só político, mas também econômico, pois atinge as estruturas orçamentárias de países que não têm cumprido com as leis de proteção ao meio ambiente.

Quando o jornalismo e o humor resolvem dar as mãos, as manifestações artísticas incomodam as personalidades políticas, sobretudo quando as charges têm o poder de falar e de criticar mais que um texto por escrito. Na charge criada por Laerte, há uma analogia de Ricardo Salles com um grilo. Esse inseto se alimenta de plantas e, em grandes números, pode destruir plantações. Salles, por outro lado, é um dos principais políticos que abusam da Amazônia, extraindo e exportando seus materiais para arrecadar mais riquezas. No ano de 2020, a Amazônia superou o seu recorde de desmatamento desde 2010 devido ao grande descuido na região em relação às queimadas, desmatamentos, a falta de preservação e conservação.

Já na charge de Aroeira, há uma referência ao caso das picanhas supostamente superfaturadas do churrasco do presidente Jair Bolsonaro e ao PIB de 2020, com o estado da carne contendo críticas ao atual cenário político brasileiro. No Norte, local do principal bioma brasileiro, a administração de Ricardo Salles é ironizada pelos altos índices de queimada na região, com a analogia da carne “bem passada”. O estado da carne também é referenciado quando o presidente diz preferir a carne sangrando, uma ironia diante do atual cenário da saúde pública no país, e quando o ministro da economia, Paulo Guedes, prefere a carne crua, uma crítica diante da sua postura de corte de gastos.

Discurso na Cúpula do Clima

Em seu discurso na Cúpula do Clima, o presidente Jair Bolsonaro defendeu as ações do atual governo no combate ao desmatamento e cobrou apoio financeiro de outros países pelo bom desempenho do Brasil nos índices de poluição. Gerando críticas de especialistas, o presidente ignorou o alarmante nível de destruição da floresta amazônica durante seu governo, alimentando promessas vagas de compromisso com o meio ambiente, e diminuindo a credibilidade do Brasil diante de outras potências econômicas.

BBC News (Reprodução Youtube)

Discussão

No podcast “Me dá um dinheiro aí”, os repórteres discutem o atual cenário político brasileiro e as possíveis restrições econômicas impostas por países ricos diante dos altos índices de desmatamento na Amazônia.

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