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Edição Jornalística – PUC Minas

Saúde

Especialistas reforçam a importância da prática de atividade física durante a pandemia

Com as academias fechadas, população adapta os exercícios em casa

Por Stela Cambraia – 7º período

Com a chegada do Coronavírus em março, muitas pessoas ficaram privadas da prática de atividade física. No entanto, mesmo com limitações e tomando mais cuidados a que estávamos acostumados, manter-se ativo e praticar atividades regularmente se tornou ainda mais importante para a preservação da saúde.

Com as atividades físicas concentradas, em sua maioria em lugares fechados, como academias, boxes de crossfit, escalada indoor e estúdios de spinning, ficou mais difícil se sentir seguro durante essas práticas, principalmente no começo da pandemia, quando havia ainda muitas dúvidas em como se proteger de maneira eficiente do vírus.

Ainda no mês de março, com os índices de contaminação pela Covid-19 nas alturas, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, decretou o fechamento total de todos os estabelecimentos na capital mineira, exceto os que provinham serviços essenciais. Esse decreto, consequentemente, incluía todas as academias. A abertura desses estabelecimentos só veio a acontecer mais tarde, no final do mês de agosto. Isso significou que as pessoas que estavam acostumadas a praticar suas atividades físicas em academias e afins precisaram se adaptar a novos meios de se exercitar.

As academias não são mais os únicos lugares onde as
pessoas podem praticar exercícios durante a pandemia.

Já deixou de ser segredo que manter o corpo ativo não só potencializa sua saúde física, como ganho de resistência, melhora na circulação do sangue, aumento da disposição, melhora a postura, podendo até aumentar nossa expectativa de vida; mas também ajuda a manter a mente e o espírito saudáveis. Ao praticarmos exercício físico regulamente, liberamos a endorfina no sangue, hormônio responsável pela saciedade e bem-estar. O humor melhora, aumenta a capacidade de concentração e autoconfiança no corpo.

Com o isolamento provocado pela pandemia, as pessoas reduziram suas práticas físicas, o que resultou em um declínio na qualidade de vida e na saúde, aspecto que se tornou ainda mais importante devido à ameaça causada pelo vírus no corpo.

No entanto, mesmo com essas limitações, é possível se manter ativo e saudável longe das academias e da aglomeração de pessoas. De acordo com a nutricionista e especialista em reeducação alimentar Renata Vargas, que acompanhou de perto pacientes que tiveram uma grande recaída durante a pandemia, ainda viu que alguns deles escolheram manter a rotina de exercícios, com menos opções: “com a pandemia e o fechamento das academias, eu percebi no consultório que aqueles que já não gostavam de fazer atividade física uniram o útil ao agradável e se fecharam em casa, fazendo com que tivessem uma piora enorme nos resultados”. E continua: “aqueles pacientes que sempre foram ligados em uma vida mais saudável, escolheram continuar praticando atividades físicas, mesmo que menos, mas mesmo assim conseguiram manter uma rotina em casa, e conseguiram bons resultados com isso”.

Apesar de todas essas informações, sabe-se que se exercitar regulamente ainda é um privilégio, reservado quase que exclusivamente para aqueles que possuem acesso e disponibilidade para a prática. No entanto, existem maneiras de se manter ativo, longe das academias, se exercitando em casa, sem a necessidade de recorrer a equipamentos de última geração.

De acordo com o personal trainer e consultor físico Gilvane Francisco de Souza, as maneiras de se exercitar em casa podem ser infinitas: “você pode fazer agachamento simples, subir em uma cadeira diversas vezes, tríceps mergulho utilizando uma cadeira, ou então coisas ainda mais simples, como varrer a casa, lavar a louça, dispensar a empregada e se manter ativo enquanto faz essas tarefas”. Ainda completa dizendo: “o importante é se manter ativo, não importa como. Sempre uso o benefício da inércia com meus alunos, um corpo em movimento tende a ficar em movimento”.

A pandemia pode até ter dificultado essa prática ativa, mas quando se analisam as consequências que ocorrem no corpo quando ficamos muito tempo sedentários, fica clara a necessidade de pelo menos praticar uma atividade física leve. A inatividade física pode provocar o desuso dos sistemas funcionais. O aparelho locomotor e os outros órgãos entram em um processo de regressão funcional, algo relacionado à atrofia das fibras musculares, à perda da flexibilidade articular, além do comprometimento funcional de vários órgãos.

Em conversa com Bruna Fernandes, estudante de nutrição pelo Uni-BH, fica clara a necessidade de analisar o sedentarismo mais a fundo, especialmente durante a pandemia. “Devemos olhar os exercícios mais criticamente ainda. A prática da atividade física agora contribui com a saúde do sistema imune, e, claro, aqueles com o sistema imune saudável possuem menos chances de terem complicações com a Covid-19”, orienta.

Portanto, especialmente durante o período de pandemia, o simples ato de arrumar semanalmente a casa, locomover-se até o supermercado (tomando todas as precauções necessárias) ao invés de pedir a entregadores e caminhar no parque na companhia de um familiar, pode acabar sendo a diferença entre uma boa resposta imunológica ou um prejuízo que afete sua saúde por muito tempo.

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