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Edição Jornalística – PUC Minas

Esportes

Nado artístico: conheça a história, regras e curiosidades sobre o esporte olímpico

Por: Lara Aguiar, Giovanna de Souza e Pedro Januzzi

O nado artístico é um esporte olímpico que consiste na execução de elementos artísticos e acrobáticos dentro d’água, marcados pela sincronia das atletas entre si e com a música das coreografias. Praticado em diferentes modalidades e categorias, o esporte passou por uma série de transformações ao longo dos anos. Entenda como funciona o nado artístico e conheça sua história, regras e particularidades.

Contexto histórico

O nado artístico tem um histórico de mudanças e transformações, incluindo o próprio nome. Originalmente conhecido como balé aquático, o esporte teve sua origem no final do século XIX e a primeira competição na cidade de Berlim, em 1891.

No início do século XX, a nadadora e campeã australiana Annette Kellerman levou aos Estados Unidos o esporte. No entanto, a prática era realizada apenas com acrobacias aquáticas, sem música. Foi quando a nadadora e treinadora americana Katherine Curtis decidiu incluir música e coreografia nos treinos de seus alunos de Chicago, que se apresentaram na Feira Century of Progress da cidade, de 1933/34. Nesse dia, Norman Ross, locutor e ex-medalhista de ouro olímpico de natação, criou o termo “nado sincronizado”.

Nado artístico como esporte olímpico

Até a primeira metade do século XX, o nado sincronizado não estava incluso nas competições olímpicas, até que nos Jogos de 1952, em Helsinque, a modalidade foi apresentada ao público como um esporte de demonstração. No entanto, foi nos Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles, que o nado se tornou um esporte olímpico competitivo, com medalhas nas categorias dupla e solo feminino.

Dessa forma, o nado artístico é relativamente novo nas competições mundiais. As primeiras medalhas internacionais do esporte foram recebidas nos Jogos Pan-Americanos de São Paulo, de 1963, quando a equipe brasileira foi vencedora. 

O nado artístico ainda demorou um tempo para ser reconhecido como um esporte separado dos demais. Nos Jogos de 1996 em Atlanta, por exemplo, o evento feminino por equipes foi realizado juntamente com outras disciplinas sincronizadas. Foi somente em 2000, em Sydney, que a modalidade teve suas próprias competições – por equipes e duplas.

Recentemente, o esporte teve outra mudança de nome, quando passou de nado sincronizado para nado artístico. A mudança foi implementada oficialmente em uma competição internacional pela primeira vez na Olimpíada de Tóquio, em 2021.

Como o nado artístico é disputado?  

As provas de nado artístico podem ser disputadas em solos, duetos e equipes. As coreografias são divididas entre rotinas técnicas, em que é exigida a execução de elementos específicos na coreografia, e rotinas livres, em que as atletas não precisam se prender a movimentos pré-estabelecidos. Nas principais competições internacionais, a nota final de cada categoria é representada pela soma das duas rotinas. 

Recentemente, foi implementada uma nova sessão no programa olímpico para Paris 2024. Agora, além das rotinas livre e técnica, a competição por equipes também terá uma rotina acrobática. Com isso, as medalhas serão determinadas pela soma das pontuações nas três rotinas. De acordo com a World Aquatics, instituição que regula o nado artístico, a nova rotina “desafia os juízes a identificar e avaliar dificuldade, execução e impressão artística de estruturas complexas, movimentos aéreos e uma ampla diversidade de combinações de ações acrobáticas”. 

As acrobacias são divididas em quatro grupos principais de movimentos:

– Aéreo: elementos executados no ar
– Equilíbrio: elementos executados em suporte/base
– Combinado: inclui elementos dos dois primeiros grupos
– Plataforma: quando um ou mais membros são levantados para realizarem ações estáticas ou em movimento

As equipes precisam realizar um total de sete movimentos acrobáticos em sua coreografia, com pelo menos um de cada um dos grupos. Além dos Jogos Olímpicos, a rotina acrobática já foi implementada no Mundial de Esportes Aquáticos (2019) e nos Jogos Pan-Americanos 2023. 

Foto: Pasquale Francesco Mesiano / Deepbluemedia / Insidefoto

Regras e curiosidades 

Ao contrário do que muitos imaginam, durante as coreografias de nado artístico, as atletas não podem tocar no fundo da piscina. Para se manterem com o tronco fora d’água, são realizadas pernadas alternadas em um movimento cíclico, chamado de eggbeater. Enquanto isso, para cada elemento realizado com as pernas fora d’água, existe um movimento de sustentação específico com as mãos e o braço, chamado palmateio.

Outra dúvida frequente é como as atletas se mantêm sincronizadas entre si e com a música quando estão debaixo d’água. A resposta para isso é que, além da contagem rítmica  praticada durante os treinos, é possível ouvir a música dentro da piscina através de um som subaquático. 

Durante as coreografias, os fatores avaliados pelo júri são: dificuldade, execução e impressão artística. Enquanto os dois primeiros são autoexplicativos e avaliam o grau de dificuldade dos elementos escolhidos para a coreografia e a qualidade da execução pelos atletas, a impressão artística é julgada de acordo com a sincronia dos movimentos com a música e temática da rotina, as expressões faciais das atletas, o deslocamento pela piscina, entre outros. 

Uma curiosidade interessante é que, além dos maiôs e maquiagens temáticos, os atletas de nado artístico utilizam nose clips, fechando o nariz para evitar que entre água durante as acrobacias, e passam gelatina incolor cobrindo seus coques para que o penteado não se desfaça com os movimentos e não cubra seus olhos e prejudique a visão durante as rotinas. 

Participação masculina

A inclusão de atletas masculinos nas competições oficiais de nado artístico vem acontecendo gradualmente. Apesar de ainda não fazer parte das Olimpíadas, o dueto misto foi implementado nas principais competições internacionais organizadas pela FINA (Federação Internacional de Natação) desde 2015.

Agora, o Comitê Olímpico Internacional permitiu a participação de até dois homens por equipe em suas provas oficiais. Dessa forma, os jogos olímpicos de Paris em 2024 serão os primeiros com participação masculina aprovada no nado artístico.

No cenário nacional, além do dueto misto, rotinas de solo e equipe masculinas também estão sendo implementadas em algumas competições. É válido lembrar que as competições nacionais não são organizadas pelas instituições acima, e sim pela CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos). 

Onde assistir

No Brasil, as transmissões de nado artístico foram feitas, por muito tempo, principalmente pelo Grupo Globo, que detinha os direitos de transmissão dos principais eventos do esporte, como os Jogos Olímpicos, Campeonatos Mundiais e Pan-Americanos. 

Para capturar os movimentos dos atletas por diferentes ângulos, as transmissões utilizam recursos como câmeras subaquáticas e drones aéreos. Além disso, os campeonatos contam com comentaristas especializados e ex-atletas para explicarem e fornecerem informações claras sobre o esporte, facilitando o entendimento do público geral.

Atualmente, alguns canais do YouTube também estão ingressando no cenário das transmissões esportivas, incluindo o nado artístico, como é o caso da Cazé TV, que obteve os direitos de transmissão do Pan-Americano 2023. O canal oficial do Time Brasil também costuma transmitir as competições ao vivo. 

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