Bolsonaro diz que Brasil precisa deixar de ser “país de maricas” e enfrentar pandemia de “peito aberto”
Presidente também declara que foi impedido de tomar decisões durante a pandemia
por Bernardo Vidal
Nessa terça-feira (10), durante cerimônia da retomada do turismo, no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (foto Agência Brasil/Reprodução) voltou a minimizar a pandemia do novo coronavírus. No evento, o chefe do executivo afirmou que “tudo agora é pandemia” e que o Brasil “tem que deixar de ser um país de maricas” e enfrentar a pandemia de “peito aberto”. Ele disse que lamenta as mortes, mas que “infelizmente todos vão morrer um dia”.
Bolsonaro considera que a pandemia foi “superdimensionada” pela mídia: “Essa pandemia foi superdimensionada. Já vai ser manchete isso amanhã. Vão falar que eu não tenho sentimento por aqueles que morreram. Tenho sentimento, mas (a pandemia) é superdimensionada. Tudo que eu falei sobre o vírus, lá atrás, quando eu apanhava como um cão sarnento, se comprova agora”.
Sem citar fontes, o presidente afirmou que existem “estudos avançados” ainda não oficializados que comprovam que apenas 20% do número de óbitos da pandemia são por Covid-19 e os outros 80% são por “outras causas”. Até o momento, de acordo com os dados mais recentes publicados pelo Ministério da Saúde, o Brasil chegou a 161.106 mortes provocadas pela Covid-19. No total, 5.590.025 pessoas já foram contaminadas no país.
Ele continua dizendo que o Brasil entrou em uma “onda mundial” de fechar tudo e queixou-se de ter sido impedido de tomar decisões em meio à pandemia. “Tem que enfrentar, porra, tem que enfrentar. Como chefe de estado não me deixaram tomar decisões, não sei porque cargas […] O que faltou para nós não foi um líder, foi deixar o líder trabalhar”, frisou.
Além disso, Bolsonaro atacou os jornalistas que estavam presentes no local, chamando-os de “urubuzada”. “Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas. Olha que prato cheio para a imprensa. Prato cheio para a urubuzada que está ali atrás. Temos que enfrentar de peito aberto, lutar. Que geração é essa nossa?”, discursou.
O presidente também disse que a vida dele “é uma desgraça, é problema o tempo todo”. Ele afirmou, ainda, que não tem paz “para absolutamente nada” e reclamou da cobertura da imprensa. “Não tenho paz para absolutamente nada, não posso mais tomar um caldo de cana na rua, comer um pastel. Quando eu saio, vem essa imprensa perturbar”, desabafou.
