Isolamento social provoca aumento na demanda em aplicativos de comida
No início da quarentena foi registrado aumento de 77% no número de pedidos de delivery

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Gabriela Gatti, Giovanna Guimarães e Marina Vidal – 5º período de jornalismo da PUC Minas Coração Eucarístico
O primeiro caso do novo coronavírus no Brasil foi diagnosticado em fevereiro deste ano e em março todas as capitais dos estados adotaram a quarentena, seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Durante este período, somente serviços considerados essenciais podem funcionar, como supermercados, farmácias e padarias. Estabelecimentos como restaurantes e lanchonetes, podem continuar abertos somente com delivery ou quando o consumidor busca seu pedido no próprio local, sem aglomerar.
Com o grande número de pessoas em casa, estudando remotamente, trabalhando em home office ou sem poder trabalhar, ocorreu um aumento na procura pelo comércio eletrônico. A demanda por aplicativos voltados à conveniência e alimentação lideram as compras online, de acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm).
Aplicativos de delivery do ramo alimentício viram seus pedidos aumentarem 77% nas duas primeiras semanas de março, de acordo com um estudo feito pela Corebiz, empresa de inteligência para marcas do varejo. Esta oscilação no número de pedidos foi percebida por diferentes aplicativos, como o James que reportou um crescimento de 50% e o Rappi que teve sua procura triplicada.
Thais Araújo utiliza os aplicativos de comida frequentemente. Ela pede refeições pela internet desde 2019 quando percebeu que “era bem mais prático do que ligar para o restaurante e fazer o pedido. Dessa forma comecei a usar o UberEats e o iFood, mais ou menos, uma vez por mês”, afirmou Thais. Com a quarentena ela tem pedido mais comida pelos aplicativos: “Diante da quarentena tenho pedido mais comida por esses aplicativos por não poder sair de casa, e isso tem me ajudado muito”.

Baixa rentabilidade
Mesmo com aumento de pedidos não quer dizer que o lucro dos estabelecimentos aumentou nesta pandemia, pelo contrário, muitos comerciantes relatam uma baixa expressiva em suas receitas. Segundo Diego Barreto, diretor financeiro do iFood, a receita dos estabelecimentos tende a ficar menor, porque diminui o lucro no volume de vendas. “Imagine um trabalhador que tomava café da manhã em uma padaria e almoçava em um restaurante todo dia. Agora, trabalhando de casa, ele vai fazer comida. Pode até pedir com mais frequência, mas isso não faz superar a receita que o estabelecimento tinha com as portas abertas”, afirma Barreto em uma entrevista veiculada no Valor Investe.
Como característica dos aplicativos, os cupons de desconto são formas comuns de atrair consumidores. Mas esta prática não é tão bem recebida por alguns comerciantes e muitos preferem não adotar estes cupons, porque a taxa cobrada pelo iFood não considera o valor perdido com desconto, fazendo o empreendedor pagar do próprio bolso os custos daquela venda. Gustavo Fraiha, proprietário da Pizzaria Fórmula, é um deles, “no início da quarentena eu senti que as vendas caíram uns 30%, pelo menos, acredito que a gente via muito motoqueiro na rua, mas é porque tinha app incentivando e fazendo muita promoção. Aquele 99 food é muito agressivo, dando voucher. Então, estava tendo muito pedidos devido a este fator. Mas no meu caso, como eu não participo destas ações, pra mim as vendas caíram. Depois foi voltando aos poucos com o pessoal pagando bastante com o Vale Alimentação, coisa que não era comum”, relata.
Higiene
A universitária Estela Fernandes pede comida pelo iFood e Rappi há dois anos, aproximadamente três vezes por mês, e na quarentena sua demanda pelos aplicativos não aumentou, “na verdade eu até estou evitando pedir comida por conta da pandemia, porque não sei os cuidados de quem tá preparando ou entregando o pedido”, disse a universitária. A preocupação de Estela é comum no período do coronavírus, pois várias pessoas estão com receio de pedir comida por meio de aplicativos por não saberem se os locais estão seguindo rigorosamente as medidas de higiene necessárias para evitar a transmissão do vírus.
O infectologista Jean Gorinchteyn mostra o que fazer quando os alimentos chegam por delivery. (Reportagem do Jornal da Record)
Para evitar o contágio e fortalecer as vendas pelos aplicativos, o iFood e o Rappi passaram a incluir um serviço personalizado em sua entrega, o chamado: “entrega sem contato”. O novo serviço é disponibilizado no momento de realização da compra pelo usuário e possibilita que o pedido seja entregue em alguma superfície ou na porta do cliente, evitando, assim, o contato físico com o entregador.
Ramon Costa, motoboy, continua trabalhando todos os dias com entregas de comida e vem seguindo os protocolos de higiene instituídos pelas empresas. O medo de se contaminar e transmitir a doença é muito grande, ele conta que a cada entrega deve limpar o baú da moto com álcool 70%, além de usar máscara e luvas descartáveis, procedimentos que antes da pandemia não eram tão rigorosos. “Faço o possível para tomar todas as precauções e seguir as orientações para evitar ao máximo me expor ao vírus”, comenta.
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