Auxílio Emergencial e o pedido de emergência dos mais pobres
Mais de um ano após o início da quarentena, com a redução no valor do benefício, a dúvida que fica é: até que ponto esse auxílio garante apoio àqueles que necessitam?
por Fabíola Duarte, Marina Lemos e Michelly Rodrigues
Em tempos de quarentena, boa parte da população brasileira luta pela vida e pelo sustento. Em março de 2020, iniciou-se a pandemia no país e muitas pessoas, principalmente aquelas autônomas e à margem da sociedade, perderam ou reduziram drasticamente suas fontes de renda.
Em abril de 2020, o governo anunciou a distribuição do auxílio emergencial, o qual foi criado com o intuito de assegurar uma renda aos brasileiros em situação de vulnerabilidade durante o período pandêmico, devido ao coronavírus. O benefício foi, de início, garantido às famílias em três parcelas no valor de R$ 600,00. A expectativa, no plano do governo, era de que até o fim do ano o país já teria se normalizado, porém, isso não aconteceu e, então, foram garantidas mais três parcelas de R$ 300,00, sendo a última em dezembro do ano passado.
No início deste ano, ainda com a pandemia em alta, houve a retomada da distribuição do benefício que, em nova rodada, será pago com valor médio de R$250,00 por família e R$150 àqueles que moram sozinhos.
Muitos trabalhadores que perderam seus empregos e, consequentemente, os salários mensais que auxiliavam no sustento e no apoio familiar, tiveram que recorrer ao auxílio para assegurar suas rendas. A dificuldade durante este tempo pandêmico e as situações de cada um frente aos reajustes são, cada vez mais, acentuados.
Aos 60 anos, a dona de casa Marlene Batista conta os obstáculos enfrentados nesse período atípico. Antes do surto da Covid-19 se instalar no Brasil, ela fazia “bicos” para pagar as contas, porém, com a continuidade da pandemia, está totalmente dependente do Auxílio Emergencial, pelo qual recebe 150 reais, insuficiente para todas as contas da casa. Ela destaca o quanto o gás e o pão aumentaram, por isso não consegue mais consumir normalmente como antes.
As atualizações feitas pelo governo para o funcionamento do programa impedem que as informações sejam repassadas com eficácia aos cidadãos. A cozinheira Grazielle Rodrigues revela que soube da nova distribuição quando o marido ficou sabendo, por colegas, de um site para colocar o CPF e saber se o Auxílio foi aceito. Para sua surpresa, seu benefício foi recusado, porque seu companheiro já recebe.
Após mais de um ano de pandemia, pode-se dizer também que a economia brasileira foi diretamente afetada, já que muitos trabalhadores foram afastados de seus empregos. Além disso, os valores reduzidos do benefício têm pouca contribuição no sustento das famílias. Getúlio Neuremberg, jornalista e professor de Jornalismo Econômico, expõe sua opinião sobre esse impasse: “Muitas atividades puderam ser realizadas em ambientes virtuais, só que a população mais pobre, de trabalhadores menos qualificados, é a que mais depende de serviços presenciais. E como muitas dessas atividades presenciais foram paradas, muitos desses trabalhadores foram demitidos e afastados”. O professor ainda explica que a situação não vai melhorar, já que os valores do Auxílio Emergencial foram reduzidos consideravelmente, enquanto a cesta básica só aumentou.
Confira as últimas notícias sobre Auxílio Emergencial do G1:
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