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Edição Jornalística – PUC Minas

EconomiaPolítica

Saiba o porquê da queda de popularidade do Governo Lula

João Antônio Cunha, João Vitor Castro, Kevin Soares, Marcel Navarro, Sílvia Lage

Em seus dois primeiros mandatos (2003-2010), o governo Lula foi marcado pelo crescimento do PIB com média acima dos 4% e a ascensão das classes econômicas mais baixas da sociedade. Apesar de escândalos como o mensalão, Lula terminou seu segundo mandato com boa reputação, mantendo-se como protagonista no cenário político nacional e internacional. A influência de Lula culminou na eleição de sua sucessora, Dilma Rousseff.

No governo Dilma, a instabilidade e a polarização política se instauraram na sociedade. Infladas pelas redes sociais, as discordâncias entre apoiadores do governo e a oposição culminaram em grandes protestos nas ruas do país em 2015, reduzindo a popularidade da presidente até seu impeachment em 2016. A queda do governo petista permitiu a ascensão da direita, que elegeu o ex-militar Jair Bolsonaro em 2018. O governo bolsonarista sofreu duras críticas pela gestão durante a pandemia da Covid-19 e a queda no poder de compra da classe trabalhadora, a figura pública do ex-presidente e seu discurso de ódio aumentaram a rejeição popular ao governo de direita e permitiram que Lula voltasse a ser o favorito para as eleições presidenciais de 2022. 

A expectativa era de que seu terceiro mandato garantisse a volta do poder econômico da classe trabalhadora, que enfrentava dificuldades para ter suas necessidades básicas atendidas. O mercado de trabalho e a economia nacional foram gravemente afetados pela pandemia de Covid-19, comprometendo a qualidade de vida da população de baixa renda. O histórico das ações dos governos petistas em prol da classe trabalhadora foram essenciais para a vitória de Lula contra Jair Bolsonaro em 2022. A gestão do político de extrema direita foi marcada por um aumento expressivo nos preços dos alimentos básicos, que fez com que o Brasil retornasse a integrar o Mapa da Fome da ONU.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou que, no mês de janeiro de 2025, o preço dos alimentos da cesta básica aumentou em diversas capitais do Brasil. Os alimentos mais caros coincidem também com a ampliação da desaprovação do governo Lula, que, de acordo com a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada no dia 7 de março,  chegou a 53%. 

A gestão petista, no entanto, também enfrenta outros desafios fora do campo econômico. A difícil relação do governo com os partidos do “Centrão”, potencializada pelo processo das emendas impositivas, que desorganizaram o organograma político brasileiro e deram forças ao grupo político, também é um grande desafio da gestão petista. O convívio truculento entre as partes implica, por exemplo, uma incapacidade do executivo de alavancar no legislativo suas pautas, inclusive na área econômica.

Os problemas na comunicação da Presidência também foram alguns dos estopins para a atual crise de popularidade do governo. Em setembro de 2024, a Receita Federal publicou uma instrução normativa que incluía movimentações acima de R$ 5 mil via PIX a serem declaradas à instituição. A medida entrou em vigor em 1° de janeiro, sendo alvo de uma campanha de desinformação orquestrada por políticos da oposição, em especial o deputado federal de extrema-direita Nikolas Ferreira (PL-MG). O governo não conseguiu contornar a crise e esclarecer sua narrativa perante a população, e decidiu, portanto, revogar a medida.   

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